Adelaide Tributa 1866 - Vinho do Porto de Luxo

Adelaide Tributa - 186

Dona Antónia Adelaide Ferreira

Dona Antónia Adelaide Ferreira, conhecida também por Dona Antónia, ou simplesmente, com ternura, por “A Ferreirinha”, é uma das grandes personalidades da história do Douro e do vinho do Porto. De uma enorme energia, chegou a administrar cerca de duas dezenas de quintas, entre  as mais famosas da região. Foi, durante anos, a maior exportadora de vinho do Porto. A sua reputação ficou a dever-se tanto à sua capacidade de empresária e ao seu forte carácter, como à sua generosidade e à maneira como assumia as suas responsabilidades de duriense e cidadã. Nos piores momentos da vida da região, em resultado das pragas da vinha, das más colheitas ou da queda de preços, sempre a Ferreirinha acudia aos que necessitavam, aos seus trabalhadores e empregados, e aos lavradores do Douro.

Foi também responsável pela construção do Hospital da Régua, e por outras importantes obras de carácter social, na região.

Nasceu na Régua, em 1811, filha de um abastado proprietário e negociante de vinhos -José Bernardo Ferreira, e de sua mulher Margarida Rosa Gil. Em 22 de Outubro de 1834 casa com o primo direito, António Bernardo Ferreira, igualmente filho único e com grande fortuna.  Dona Antónia teve dois filhos: uma rapariga, Maria de Assunção, mais tarde Condessa de Azambuja, e um rapaz, António Bernardo Ferreira. Entretanto o seu marido vai para Paris e aí morre, em 1844. Ficou viúva muito nova (33 anos), tendo a viuvez despertado  nela a sua verdadeira vocação de empresária, radicando-se se nas suas quintas do Douro.

Viveu 3 anos em Londres, para onde se deslocou para fugir á pressão que o Duque de Saldanha, primeiro-ministro do rei de Portugal, estava a exercer para casar o seu filho com a filha de Dona Antónia, então com apenas 11 anos.

Apoiada pelo administrador da Casa Ferreira- a Empresa de vinhos do Porto da Família- José da Silva Torres, mais tarde seu segundo marido, Dona Antónia  lutou contra a falta de apoios dos sucessivos governos, pouco  interessados nos problemas da região do Douro, e dos seus vinhos. Debateu-se contra a doença da vinha, a filoxera, tendo-se deslocado  a Inglaterra para obter informação sobre os meios mais modernos e eficazes de combate a esta peste.

Dona Antónia foi  considerada uma visionaria, pois investiu em novas plantações em zonas até aí não exploradas, e fora da área da então  região demarcada do Douro.  Ficou  para a história como uma das maiores empresárias Portuguesas.

A  Quinta do Vallado pertenceu a Dona Antónia, e  permanece até agora   na posse dos seus descendentes; foi no  bicentenário da sua nascença  que a Quinta decidiu engarrafar o Vinho do Porto Adelaide Tributa, vinificado enquanto ela ainda estava viva, em homenagem à sua vida e trabalho na região do Douro.